O programa
Capoeira, samba de roda e as danças dos orixás explicadas
O que é cada ritmo, de onde vem e o que observar na noite.
Verificar disponibilidade ↗Os ritmos num relance
| Instrumento | Dança | Fique atento a |
|---|---|---|
| Berimbau | Capoeira | A única corda do arco e a cabaça ressonadora a marcar o ritmo de todo o jogo |
| Atabaque | Danças dos orixás | O ritmo mais profundo e cerimonial em contraste com a energia de jogo da capoeira |
| Pandeiro | Samba de roda | A formação em círculo e o canto de chamada e resposta |
| Baquetas | Maculelê, onde surge | As baquetas a bater ao ritmo dos tambores, não os pés dos dançarinos |
Capoeira e o berimbau
A capoeira é frequentemente descrita como uma luta disfarçada de dança — dois jogadores trocam rodas, pontapés e rasteiras dentro de um círculo (uma roda) de espectadores que batem palmas e cantam, sem nunca chegar verdadeiramente a tocar-se. Quem marca o ritmo é o berimbau, um arco musical de uma só corda com cabaça ressonadora que pertence à tradição do Candomblé da Bahia e que, segundo a maioria dos relatos, só foi adotado pela própria capoeira no início do século XX. Um tocador hábil de berimbau consegue acelerar ou abrandar todo o jogo apenas com o ritmo do instrumento, o que explica em parte porque é tratado como o instrumento principal em qualquer roda de capoeira, incluindo a deste espetáculo.
As danças dos orixás
O Candomblé é uma religião afro-brasileira construída em torno dos orixás — divindades associadas cada uma a uma força da natureza, uma cor e um ritmo distinto de dança e tambor, tocado em atabaques. Um espetáculo de folclore como este apresenta versões teatralizadas desse repertório para um público, o que é diferente de uma verdadeira cerimónia de Candomblé (uma sessão de terreiro) — a companhia está a interpretar uma tradição, não a realizar um rito religioso, e vale a pena ver este segmento com essa distinção em mente, em vez de assumir que está a assistir a uma cerimónia autêntica.
Samba de roda e o pandeiro
O samba de roda é uma forma de dança e canto em círculo que ganhou forma na Bahia no século XIX, intimamente ligada ao mesmo mundo afro-baiano da capoeira e das tradições de orixás e caboclos do Candomblé. Um solista dança dentro de um círculo de cantores e músicos que tocam pandeiro, viola e batem palmas, e é amplamente reconhecido como um dos ancestrais diretos do samba mais tarde associado ao carnaval do Rio. A UNESCO reconheceu o samba de roda na sua lista de Património Cultural Imaterial em 2005, reflexo de quão central esta forma é para a identidade baiana em particular, distinta do samba de carnaval carioca, posterior e de maior escala.
Maculelê, onde aparece
O maculelê é uma dança de baquetas, tradicionalmente executada com um par de bastões de madeira (por vezes catanas em versões cerimoniais) batidos em conjunto ao ritmo dos atabaques — segundo a maioria dos relatos, começou como uma dança de colheita ou de batalha simulada das comunidades afro-brasileiras da Bahia antes de as companhias de folclore a adotarem como repertório de palco. Se aparece numa determinada noite depende do programa da companhia em questão; se fizer parte do espetáculo, tende a ser um dos números fisicamente mais impressionantes, com as baquetas a estalar num ritmo tão preciso como a percussão por baixo.
O que é típico e o que varia
Um espetáculo de folclore ao vivo apresentado por uma companhia em atividade não é um guião fixo — a ordem exata dos números, quais aparecem e quanto tempo dura cada um pode variar de noite para noite, dependendo dos artistas escalados e da sala. Encare a sequência aqui descrita como amplamente típica de uma noite de folclore baiano, e não como um alinhamento garantido para a sua data específica; se um número em particular for importante para si, vale a pena perguntar antecipadamente ao apoio da GetYourGuide em vez de assumir. Uma companhia que atua várias noites por semana costuma rodar solistas pelo mesmo repertório central, pelo que a estrutura da noite (capoeira, depois as danças circulares, depois os números cerimoniais) tende a manter-se mesmo quando os intérpretes individuais mudam.
Assistir com respeito
Como parte do programa se baseia no repertório sagrado do Candomblé, vale a pena assistir a esse segmento com o mesmo respeito que traria a qualquer arte performativa de raiz religiosa — o Candomblé continua a ser uma fé viva em Salvador, não uma curiosidade histórica, mesmo quando uma companhia de folclore apresenta uma versão encenada das suas danças para um público pagante. O aplauso é bem-vindo no final de um número, como em qualquer espetáculo, mas tratar o segmento dos orixás como uma oportunidade fotográfica no mesmo registo do jogo de capoeira pode soar despropositado ao público baiano; um momento de atenção silenciosa antes do aplauso tende a resultar melhor do que gritar por cima dele.